DJ LINKY – Entrevista – Face the Music

POR ANDREW THOMPSON

Foi de grande prazer que tivemos a honra de entrevista o grande DJ/PRODUTOR, LINKY, onde conta um pouco de sua trajetória na música.

FACE THE MUSIC –  Como foi o começo de sua carreira? E quem foram os maiores incentivadores?

LINKY+ Cara, eu eu sempre gostei de rap funk e soul e herdei do meu pai mais de 5 mil títulos em vynil. Pra mim, essa foi uma experiência e tanto naquela época. Eu tinha apenas 12 anos de idade quando comecei a mixar. Antes disso eu vivia na casa da minha vó riscando os discos do Roberto Carlos dela, rs. Eu já era musico, tocava bateria e o lance de sincar uma batida na outra me intrigava. As pessoas que mais me incentivaram foram meu irmão mais velho, o Leo que foi quem me mostrou este universo e meu Pai que me deixou os discos.

FTM-  Aos 14 anos de idade, ganhar um campeonato não é fácil, ainda mas no tão famoso clube Broadway, como foi esse sensação ?

LINKY+ Completamente inesperada! Eu não tinha idéia que isso poderia acontecer. Eu . Foi incrível ouvir meu nome no final do campeonato depois de tanta luta. Antes de eu me inscrever pra este campeonato eu estava mal de notas na escola e meu pai não queria que eu participasse. Fui mesmo assim na inscrição e tivemos uma briga, em seguida. Hoje é muito legal tudo isso, por que ele não tinha idéia que eu poderia ser profissional.

FTM- Como é ver o “stilo” como Drum’n Bass, que a alguns anos atrás era reverenciado pelas grandes casas noturna e agora a cada dia passa a cair no esquecimento e conhecimento do público?

LINKY+ Discordo da parte do esquecimento do público, acho até que hoje em dia estamos lidando com outra geração. Novas pessoas estão indo aos clubs, novos clubs estão inaugurando. Isso acontece no Brasil também porque aqui as pessoas infelizmente são acostumadas a seguir o que está em evidência ou seja na MODA e nada fica no topo das paradas para sempre! Hoje por exemplo, o sertanejo este roubando a cena (risos). Mas acredito que tudo é um ciclo, assim como o RAP ou Black music  também já foi discriminado, mas  teve a fase em que tudo mudou e foi o gênero mais tocado nas baladas. Por fim,  o Drum & Bass é uma musica muito rica, você pode experimentar misturar coisas como Jazz, Reggae,  Black music, funk , Soul e como já vimos até mesmo MPB, que foi uma revolução para o mercado fonográfico. O que na verdade eu acredito é que tocar Drum & Bass, não é pra qualquer DJ, você tem que realmente conhecer de musica pra fazer a pista! Hoje é uma nova fase, tem uma nova safra de produtores e DJs  talentosos que estão trabalhando pra fazer este ciclo girar, Vamos aguardar e ver o que acontece!

FTM-  Tão jovem e com uma responsabilidade de lidar com uma matine do Club Fabrica 5, como foi ser o carro chefe de uma das matinês mais bombadas em São Paulo?

LINKY+ Cara, na verdade foi bem bacana! Eu tinha acabado de ganhar o campeonato da Broadway e  ainda nem tinha nome artístico, então entreguei um cd mixado para um promoter da casa e o cara me perguntou: “Qual teu nome pra eu por no flyer ?“ Eu disse, meu nome é Lincon. Então ele disse:  Lincon? Seu nome agora é Linky, DJ Linky…  E  no domingo seguinte eu estava lá trabalhando! Outras matinês concorrentes negaram meu trabalho e depois foram até o Fabrica me oferecer o dobro em grana pra eu tocar pra eles, mas neguei a todas as propostas. Eu Amava tocar no Fabrica! Ouve até uma vez em que esvaziei o Show do Terra Samba (risos), naquela época o Axé era muito forte. A pista 2 do club tava vazia , eu me lembro que tocou Rica Amaral e outros dois DJs também de nome, mas quando eu entrei eu ‘’bombei’’ a pista, e o Klaus dono do club, foi pessoalmente me pagar naquela noite! (risos)

 FTM – Todo artista já passou os famosos perrengues. Na sua longa trajetória, você já teve o pensamento de desistir de tudo e seguir em outra profissão?

 LINKY+ Não me considero consagrado ainda, acho que falta uma longa estrada pela frente até eu me considerar consagrado. Mas sim, em vários momentos eu tive vontade de desistir… É muito difícil ser DJ aqui no Brasil.  Imagina você ser um DJ que toca um estilo de música que você ama mas está afundando… Você investiu, comprou discos fez pessoas sorrirem e dançarem e depois você não ter emprego por conta de pré-conceito. Isso arraza com qualquer um, mas mesmo assim, segui meu trabalho por amor e isso me deu força naquele momento, até dei a volta por cima e consegui retomar o ritmo de jogo! Ouve um momento em que eu estava me dedicando muito e  os DJs estavam tocando minha músicas no rádio e mesmo nadando contra a maré, fui pelo meu coração…  Eu fechava os olhos e me imaginava tocando num palco com uma puta estrura, pra muita gente… Um dia eu abri os olhos e eu estatava mesmo ali, tocando no Spirit Of London com aquela tenda enorme lotada, era um mar de gente gritando e vibrando, meus melhores amigos e até gente que eu conheci no inicio da minha carreira estavam presente, como o DJ Rogério Djêss que viu conquistar o campeonato da Broadway.

FTM- Como foi ir a Londres com Dj Patife ?

LINKY+ Foi incrível, ir pra Londres com o Patife é como andar comigo na Zona Leste em SP. Ele conhece tudo! Fomos em vários clubs e festivais, foi uma parada muito doida! Você imagina comprar discos e tocar e pensar… “isso aqui é foda”, e derrepente aquele cara que fez aquela musica ligando pro patife e você do lado indo dar um role, indo pra uma festa com os caras! Isso foi demais! Quem conhece o Wagner aka DJ Patife, sabe que esse cara é sensacional, ele foi muito atencioso comigo lá, me deu toda a letra, de onde comprar discos. Fomos nas gravadoras buscar uns promos e o melhor, foi ele ter me levado pra cortar meu primeiro disco num estúdio em Londres. Tem um vídeo no D-edge com essa música que se chama DOPE STUFF, minha e do DJ Marnel, que foi a primeira musica que bateu de verdade na pista e enlouqueceu a galera aquele dia.      Confere aí http://www.youtube.com/watch?v=0QjeiiBUV_A
Agora se for falar o que eu mais gostava de fazer em londres, além de ir em clubs maravilhosos com line ups incríveis. Eu acordava as 9 da manhã, e ia pra lojas de discos e entrava em uma e depois em outra, em outra e só ia pra casa quando fechavam as lojas, as 7 da noite, passava o dia comprando disco, uma loucura (risos)

FTM- Alguns sabem que tudo nessa vida é difícil e a banalização que ocorreu na profissão “DJ”, foi um marco negativo para o Brasil. O que você acha desse caso?

LINKY+ Por mais que aconteça, acho que quem trabalha sério sabe separar. Tanto donos de clubs, como promoters e Djs. Eu sou pago pra fazer as pessoas se divertirem, se alguém diz que é DJ, tem que ter essa competência. E na minha opinião, se você é bom em alguma coisa, nunca faça de graça!

FTM- Como foi receber o convite de fazer parte da LINE-UP da TENDA TERREMOTO NO SPIRIT OF LONDON, com um dos Djs mais conceituados do MUNDO, como DJ MARKY?

LINKY+ Foi ótimo! É muito bom ser reconhecido. É algo que eu esperava a um bom tempo quando aconteceu pela primeira vez. É também uma responsabilidade muito grande, segurar uma tenda enorme como aquela lotada por duas horas dá trabalho (risos).  Você tem que ir pronto, estar focado, mas também é muito gratificante! O Marky hoje posso dizer que é um amigo, mas não um amigo comum, ele me influenciou muito musicalmente. É um artista e tanto, eu admiro muito o trabalho dele.

FTM – Como sabemos, você tem uma parceira de peso ao seu lado, Dj Zara Amaral, como funciona essa parceria?

LINKY+ É assim, como qualquer casal nós dividimos vida pessoal entre tristezas e alegrias. Vivemos juntos, mas não misturamos a parte profissional. Temos o HouseMatics que é um projeto que nasceu de uma ideia simples… Ganhamos um monte de discos antigos de uma amiga nossa e um belo dia acordamos afim de escutar, e ali achamos um sample de 1975 “ Al Mathews – Fool”     é um single da Inglaterra que se destacou na década da disco music. Então ouvimos aquele refrão “ She say uhhhhh… Don’t know I love you”  e pensamos isso dá um bom house! E foi assim (risos).

FTM- Sabemos que ano de 2011, foi ruim para alguns profissionais do ramo, como você vê o ano de 2012? Novos projetos?

LINKY+ Para mim pessoalmente não foi um ano ruim num todo, porém acredito que 2012 vai ser melhor, acho que tudo depende de trabalho. Estou com um projeto novo com o baterisata da Banda Cine o Dave Casali e ta indo bem… Tocamos em alguns lugares como HOT HOT e Vegas, mas esse ano quero dar um gás! Agente tava amadurecendo essa ideia, mas me identifiquei bastante, pelo fato que eu sou baterista desde muito novo, foi o primeiro instrumento musical que peguei pra tocar (risos). Também estou com planos para lançar meu CD Mixado pela gravadora LuvDisaster, será um CD de Drum & Bass, com músicas tanto de artistas Nacionais quanto Internacionais! Então, vai ter bastante coisa legal esse ano, to bem feliz!!!

VAMOS PARA AS POLEMICAS?

FTM- A banalização atual, como você vê?

LINKY+ É complicado… Digamos que ser DJ “ta na moda”. Já imaginou se tivesse “na moda” ser médico ou ator, advogado, empresário etc… É bem por aí.

FTM- Artistas que você acha que são anti-profissionais?

LINKY+ Eu poderia dizer vários nomes, e será que eles podem ser chamados de artistas? Mas vou deixar que eles saibam pela minha resposta, ok? Bem, então os “Diz que é Jockeys” que tocam nos clubs com computador usando mídia player, Virtual DJ, Itunes ou qualquer coisa parecida e cobram por isso. E tem também os Djs que levam set pronto mixado. Isso é uma merda!!!!! Como é que pode!? Por um set mixado, sendo que você não sabe o que a pista precisa naquele momento? DJ de verdade tem feeling, olha pra pista e escolhe a música na hora. Vira e mexe rola até de eu já saber a próxima e as próximas 3 ou 4 que vou tocar. Mas isso é ali na hora, com o público! Eu mesmo nunca nem ensaiei set, por que eu gosto de fazer a mixagem ali na hora e quando sai uma “pegada” as duas batendo e corta pra ca no vocal de uma, corta pra lá e a outra tem a frase que completa, a harmonia fluindo maravilhosamente das duas juntas, isso é tocar! Gosto de me surpreender a galera! Então, para mim esses são os anti-profissionais. Os “Diz que é Jockeys”, que não fazem o menor esforço para descobrir o prazer que é mixar.

FTM- Se arrependeu de algumas inimizades que arrumou ao longo da sua carreira?

LINKY+ É CLARO. Tenho um amigo na música, famoso inclusive, e a uns meses nós tivemos uma discução por conta de besteira. E desde então não nos falamos mais… Isso vendo a bobagem que foi o motivo da discução gera este arrependimento, por que era muito mais válido os tempos que nos divertimos e ficávamos até 7 da manhã ouvindo disco de tudo quanto é tipo e bebendo vinho, do que essa discução que tivemos. São coisas que acontecem, mas  que poderiam ser evitadas.

FTM- PROMOTER OU DJ? Qual você acha que deveria ser mais valorizado?

LINKY+ Os dois, cada um no seu quadrado.

FTM- Os valores de cachê na atualidade estão corretos? Tem gente se prostituindo por muito pouco?

LINKY+  Sim sempre tem os que se prostituem… Mas aí acho que fica cada um com sua classificação. Se você é bom, então apresente um bom trabalho e se valorize. Afinal você ta vendendo o que?

FTM- Uma reflexão de tudo na sua carreira?

GROOVE BABY!

FTM- Deixe um recado para seus admiradores.

Dancem e não se cansem!

FTM- O que acha do BLOG FACE THE MUSIC?

É um trabalho admirável e necessário por a mostra o pensamento de DJS que representam aí toda uma cena. Isso algum dia tem que virar um livro.

DJ LINKY SOUNDCLOUD

Fonte: Face The Music

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